quarta-feira, 24 de junho de 2009

Transdisciplinaridade: o chamado para reflexão do sujeito

Wertheimer (1945) em processos complexos do pensamento humano, realizou uma distinção formidável entre o pensamento produtivo e atividade automatizada. Além de adultos, estudou crianças, tentando diagnosticar sua capacidade para aprender, usando método de questionamento crítico semelhante ao que ficaria conhecido como o método clínico de J. Piaget.
Segundo conclusões de seus estudos, o pensamento produtivo é aquele que ocorre após um período de encubação, um lapso de tempo, que permite a percepção da estrutura do problema, pela focalização da atenção em suas relações internas essenciais, e reorganização dessas relações de forma a preencher a lacuna ou identificar a informação que está faltando. No pensamento produtivo há criação de nova forma, há o exame da situação sob um novo ângulo, fundamental para a produção da solução.
Que se diferencia da atividade automatizada , como o nome indica, reproduz, não é criativa, não busca solução nova e limita-se à repetição mecânica de passos memorizados ou aprendidos sem uma verdadeira compreensão. Nela há pouca generalização ou transferência para situações novas.
Em análise comparativa com nossa prática, entendemos que a atividade automatizada, é reducionista, descalifica e empobrece o cuidado, nos privando de novas experiências e novos níveis de realidade e complexidade. É a aplicação de técnicas e procedimentos prontos que aprendemos desde sempre na academia, e que, qualquer situação problema fora dessa lógica de aprendizado, torna-se um desafio não superado.
O pensamento produtivo, envolve o desejo de chegar a uma compreensão real do problema, busca , questiona, investiga, proporciona nova compreensão estrutural da situação.
Pode-se destacar alguns mecanismos acionadores do pensamento produtivo:
1) Paixão: quando se tem um motivo que é consumidor, energizante, que obsessivo, isso lhe dá estímulos para reforçar a busca pelo sucesso, e faz com que liberem seu verdadeiro potencial.
2) Crença: todo livro religioso fala sobre poder e o efeito da fé e da crença na humanidade. Nossas crenças sobre o que somos e o que podemos ser determinam precisamente o que seremos e o que pensamos.
3) Estratégia: é um meio de organizar recursos. Devem-se usar esses recursos de maneira mais efetiva. Estratégia é o reconhecimento de que os melhores talentos e ambições também precisam encontrar o caminho certo.
4) Clareza de valores: são sistemas específicos de crenças que temos sobre o que é certo e errado para nossas vidas. São os julgamentos que fazemos sobre o que torna a vida digna de ser vivida. Muitas pessoas não tem uma ideia clara do que seja importante para elas.
5) Energia: o grande sucesso é inseparável da energia física, intelectual e espiritual que nos permite obter quase tudo o que temos.
6) Poder de união: pessoas produtivas tem uma extraordinária capacidade de unir-se com outras, de ligar-se e desenvolver uma relação harmônica com pessoas de diferentes procedências e crenças.
7) Domínio da comunicação: a maneira como nos comunicamos com os outros e com nós mesmos é que, no final, determina a qualidade de nossas vidas.
Esses mecanismos são necessários, para produção do pensamento, mas para que ocorra o pensamento produtivo de fato nosso estado mental e comportamental deverá estar propicio para tal. A chave para produzir um aprendizado significativo, então, é representar coisas para si, de uma maneira tal de estado de recursos que fique fortalecido para praticar os tipos e qualidades de ação que criem o desejado resultado.
Assim, fica claro que, se estamos sempre focalizando as coisas más da vida, tudo quem não quer, ou todos os possíveis problemas, entramos num estado que apoia esses tipos de comportamentos e resultados.
O próprio conhecimento é transdisciplinar, pois, buscamos a compreensão de várias realidades com o intuito de entendermos o problema, necessitamos assim de compreensão do próprio eu, para atingirmos novas etapas do processo, estar numa situação de inúmeros recursos para que o aprendizado seja significativo. Logo, a dualidade ensino / aprendizagem, nunca estiveram tão distintas a ponto de determinar uma ou outra, dentro da nossa realidade, seria perfeito se pudessémos associá-las de forma efetiva.
Podemos concluir então que, não é fácil como se imagina produzir conhecimento, que na maioria das vezes automatizamos nossas ações, e esse automotismo, pode ser expressado de forma simples, imperceptível, como decorar uma disciplina para realização de uma prova. Criar ambientes seguros e favoráveis para a produção do conhecimento, hoje é visto como grande meta a ser alcançada.
O conhecimento não pode ser resumido a recursos de mídia, ou cópias de textos, teorias mastigadas, rótulos pedagógicos, a associação ciência e prática, nos coloca como conhecedores, e veículos de mudança da realidade, não como sujeitos passivos, que não controem, que nada mudam, a passividade nos leva a estagnação.
Segundo, Vilma de Carvalho (2009) "Penso que os estudantes de enfermagem, como encontrados de permeio com as sendas investigativas do conhecimento, não podem e não devem ser tratados como objetos de tecnologia pedagógica artificial puramente idealizadora para a construção de sujeitos de mentalidade de alta resolução. A inteligência humana já é, por si, o princípio da ordenação do cosmos, E se entendida nos termos da intellectus agens, a inteligência estudantil, é atividade viva, é a faculdade do pensar e doa agir capaz de organizar as sensações da aprendizagem, torná-las em abstrações enquanto conceitos inteligíveis, altamente referentes daquele específico cuidado de que se fala."
Morin (1980) apresenta as características não elementares da individulaidade, explicando que todo indivíduo constitui-se de características infra, extra, supra, meta-indivíduos, que correspondem respectivamente aos seus elementos químicos, na infra, ao ecossistema, na extra e à sociedade em que está inserido, na supra e metam. Essas características particulares do indivíduo ao mesmo tempo que o singulariza, o distingue e diferencia, não enquanto membro de uma categoria pertencente à espécie, mas como autor de seu processo organizador que o torna sujeito.
O ser humano vive a construção de sua própria identidade, que pressupõe a liberdade a a autonomia, para tornar-se sujeito, através das dependências que alimenta, necessita ou tolera, como por exemplo da família, da escola, da linguagem, da sociedade.
Conclui-se que quando temos consciência de quem somos, do que somos capazes, ao que devemos dedicar nosso esforços, no que se concentrar, gastamos energia positiva, entramos em um estado de ricos recursos, onde somos capazes de produzir conhecimento, em conversa constante com nosso próprio eu, deixamos de lado nosso egocentrismo, e vemos o mundo diferente, numa visão holística, multidimensional e multi referencial.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

FORMAÇÃO DOCENTE EM DESCOMPASSO COM A QUALIDADE !

Refletindo sobre um texto que estava lendo, percebi que na maioria das vezes os docentes não são críticos em relação a própria prática (com raras exceções), discutir sobre as formas de ensinar/aprender, na maioria das vezes está relacionada com a capacidade que o aluno tem ou não de assimilar os conteúdos ou os ensinamentos a ele dispensado. Dentro das universidades particulares, os mandos e desmandos de alguns ensinadores é VERGONHOSO, os discentes mesmo pagando as mensalidades não são ouvidos. Por que o problema é sempre com o aluno e não com o professor? E não falo apenas com propriedade de aluno, relato apenas o que tenho visto e escutado por alguns colegas. Ao contrário das universidades públicas onde os diretórios acadêmicos tem poder de decisão, seja por pressão social, judicial e as vezes até por imposição.
Essa tarefa de dar voz a quem precisa ser ouvido, é uma questão de qualidade, pois, temos que levar em conta a relação de serviço (claro que não deveria ser assim, mas o é) o que paga por ele e o recebe de forma satisfatória. Não basta apenas um caixinha de sugestões, ou conversar mal determinadas e escondidas da massa... o debate é necessário.
No meu caso, aluno de graduação em enfermagem, desde sempre estudo sobre a formação desse profissional, e de como devemos direcionar todo o processo de ensino e aprendizagem, e por vezes fico triste ao perceber que na sua grande maioria, os docentes são caracterizados pela falta de interesse por essa formação. Mas o que podemos esperar de profissionais que mesmo graduados "enfermeiros", não possuem pós -graduação, se quer o mestrado; seria possível ensinar sem saber metodologia de ensino? Se pode ensinar sem ser comprometido com a formação do profissional? Dificilmente a auto-crítica faz parte do dia-a-dia desse docente.
Não falo em tecer comentários um do outro sobre como melhor ensinar, muito menos de um professor criticando outro na frente dos alunos, refiro-me a questão de ser consciente do seu papel, de sua capacidade ou não de ensinar, e essa reflexão não tem que partir do aluno como intuito de prejudicar, ou até mesmo alertar a instituição sobre a capacidade do educador, mas dele próprio, e na maioria das vezes esse educador, com dificuldades de ensinar, é um ótimo profissional da assistência, do cuidado, mas infelizmente o que é levado em conta, são suas experiências fora da docência. "GRANDE ERRO".
Se não formos críticos, nunca chegaremos a excelência que tanto esperamos, a qualidade do ensino que tanto buscamos, segundo Geraldo Grossi: " Se nós avaliarmos o professor que não tem condições de ser docente, a instituição em que ele se formou deve ter uma co-responsabilidade e sofrer as consequências".
Logo, a instituição deve primar pela excelência de seus mestres, valorizar sim, a formação miníma de mestrado, sendo pré-requisito para exercer a docência, e se não acontecer, que qualidade teremos, se não se exigir, por que motivo os profissionais irão buscar a especialização?
Gostaria de saber quais serão os desafios para melhorar a qualidade do ensino?
Quais as medidas deveriam ser tomadas à cerca da capacitação dos docentes, em especial dos profissionais enfermeiros?
Buscamos a melhoria do ensino e não abrimos mão disso, e essa melhoria dar-se-á a medida que abrirmos intensas discussões entre discentes e docentes, no que se refere as práticas pedagógicas existentes, seria o que sabe ensinar versus o que tem sede de aprender, dessa interação poderão surgir frutos surpreendentes, novas práticas, novas metodologias, novas dimensões do processo ensino e aprendizagem...enfim uma prática transdiciplinar!