sábado, 25 de julho de 2009

Pesquisando em enfermagem: relatos de um bolsista de iniciação científica - FAPERJ

Estudo ainda em construção...
Pesquisar é reunir experiências de vida, é construir e validar informações que sirvam de intermédio para formação de novas diretrizes que possam reorganizar pensamentos e práticas. É de todas as formas ser capaz de, admitir erros e acertos, ter sensibilidade para desfrutar de todas as vivências que são partilhadas durante o processo, buscar incansavelmente a verdade acima de tudo, baseando-se no que de fato faça parte da realidade, do meio, e das interelações com o outro e os sentimentos que os permeiam.
Pesquisar é então, admitir que, precisamos sempre encontrar soluções para problemáticas que emergem na sociedade, seja ela relativa ao convívio, evolução, novas tecnologias, novas decobertas, novos métodos ou teorias. Dar voz a inquietude de alguns é a grande máxima do pesquisador, que torna-se capaz de ouvir, admitindo desta forma ser veículo de mudança e de transformações.
Aceitar que somos capazes de construir um estudo, acredito que seja o primeiro passo para o desenvolvimento intelectual, entretanto, não basta, tudo começa quando nos dedicamos realmente a um objeto e os tornamos alvo principal de nossa busca. A partir disso reunir informações necessárias a esse estudo torna-se um longo processo, é claro que quando nos propomos a estudar um objeto conhecido de todos, um gama enorme de material e fontes emergem quase que automaticamente, mas se o objeto é de uma problemática ainda pouco conhecida, grande esforços serão necessários para o levantamento das fontes.
Logo no início dos trabalhos, precisamos diferenciar os tipos de conhecimentos: o empírico, espontâneo, vulgar ou sensp comum; e delimitar que, para construir um trabalho científico, precisamos ter um conhecimento científico, que pertence ao rol do conhecimento intelectual, porém vai mais além para buscar conhecer e demosntrar as causas das coisas, dos fatos, seu etágio de evolução até demonstrá-las, concluindo e generalizando a respeito da realidade.
Segundo Alves, 2003, nasce da dúvida e se fixa na certeza; é metódico e sistemático, procurando encontrar a relação entre os fenômenos, formulando leis; estabelece leis válidas para todos os casos de uma mesma espécie, que venham a ocorrer nas mesmas circunstâncias; procura investigar a relação entre os componentes do fenômeno para enunciar as leis gerais que regem esses fenômenos.
Delimitar o tema, trata-se do momento da seleção do fato, fenômeno ou assunto merecedor da pesquisa, e deve-se levar em consideração alguns aspectos, no momento em que se vai decidir sobre o mesmo, e o maior deles é saber se é de interesse científico, outro muito importante é saber se é possível de ser investigado. Depois do tema, fica fácil encontrar a problemática, ou seja, a questão a ser resolvida.
A metodologia é outra parte que necessita de grande atenção, podemos encontrar vários tipos de pesquisa em livros de metologia, e com o auxílio do orientador, podemos optar sobre o tipo de estudo a ser realizado, se vai ser necessário ou não coletar dados, e como será a validação desses dados.
O anteprojeto que deve conter resumo, considerações iniciais (contendo objeto, objetivo, justificativa, relevância, questão norteadora), os referencias teóricos, metologia e o cronograma, vão orientar cada passo da pesquisa, a partir dele, inicia-se o desenvolvimento, respeitando os prazos e as informações contidas no anteprojeto.
Angústias começam a emergir, no momento das construções dos capítulos, da inserção das citações e levantamento bibliográfico, onde o bom senso deve ser fundamental, a pesquisa deve ser estruturada e concisa, repetições são desnecessárias, entretanto, o auxílio do orientador torna-se fundamental nessa etapa.
Não podemos esquecer que, segundo a Resolução 196/96, que dispõe sobre pesquisa envolvendo seres humanos e respeito aos princípios da bioética: autonomia, beneficência, não-maleficência, justiça e equidade. Logo, se a pesquisa necessita de coleta de dados seja ela qual for, o projeto deve ser encaminhado a um CEP para ser submetido, se autorizado realiza-se a coleta.
Depois de realizado todo o corpo do estudo, acredito que a coleta de dados seja o ponto mais problemático, por envolver uma burocracia tal, que não em nada facilita, no meu caso estudante de uma faculdade particular, estou encontrando diversas dificuldades, por minha instituição não possuir um CEP, que possa receber e avaliar os projetos.
Coletados os dados, é chegada a hora da validação, onde o método também deverá ser escolhido com a ajuda do orientador, para que os mesmos sejas tratados de forma a validar o estudo e reafirmar juntamente com o referencial teórico a importância da mudança e a utilização da proposta sugerida.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Transdisciplinaridade: o chamado para reflexão do sujeito

Wertheimer (1945) em processos complexos do pensamento humano, realizou uma distinção formidável entre o pensamento produtivo e atividade automatizada. Além de adultos, estudou crianças, tentando diagnosticar sua capacidade para aprender, usando método de questionamento crítico semelhante ao que ficaria conhecido como o método clínico de J. Piaget.
Segundo conclusões de seus estudos, o pensamento produtivo é aquele que ocorre após um período de encubação, um lapso de tempo, que permite a percepção da estrutura do problema, pela focalização da atenção em suas relações internas essenciais, e reorganização dessas relações de forma a preencher a lacuna ou identificar a informação que está faltando. No pensamento produtivo há criação de nova forma, há o exame da situação sob um novo ângulo, fundamental para a produção da solução.
Que se diferencia da atividade automatizada , como o nome indica, reproduz, não é criativa, não busca solução nova e limita-se à repetição mecânica de passos memorizados ou aprendidos sem uma verdadeira compreensão. Nela há pouca generalização ou transferência para situações novas.
Em análise comparativa com nossa prática, entendemos que a atividade automatizada, é reducionista, descalifica e empobrece o cuidado, nos privando de novas experiências e novos níveis de realidade e complexidade. É a aplicação de técnicas e procedimentos prontos que aprendemos desde sempre na academia, e que, qualquer situação problema fora dessa lógica de aprendizado, torna-se um desafio não superado.
O pensamento produtivo, envolve o desejo de chegar a uma compreensão real do problema, busca , questiona, investiga, proporciona nova compreensão estrutural da situação.
Pode-se destacar alguns mecanismos acionadores do pensamento produtivo:
1) Paixão: quando se tem um motivo que é consumidor, energizante, que obsessivo, isso lhe dá estímulos para reforçar a busca pelo sucesso, e faz com que liberem seu verdadeiro potencial.
2) Crença: todo livro religioso fala sobre poder e o efeito da fé e da crença na humanidade. Nossas crenças sobre o que somos e o que podemos ser determinam precisamente o que seremos e o que pensamos.
3) Estratégia: é um meio de organizar recursos. Devem-se usar esses recursos de maneira mais efetiva. Estratégia é o reconhecimento de que os melhores talentos e ambições também precisam encontrar o caminho certo.
4) Clareza de valores: são sistemas específicos de crenças que temos sobre o que é certo e errado para nossas vidas. São os julgamentos que fazemos sobre o que torna a vida digna de ser vivida. Muitas pessoas não tem uma ideia clara do que seja importante para elas.
5) Energia: o grande sucesso é inseparável da energia física, intelectual e espiritual que nos permite obter quase tudo o que temos.
6) Poder de união: pessoas produtivas tem uma extraordinária capacidade de unir-se com outras, de ligar-se e desenvolver uma relação harmônica com pessoas de diferentes procedências e crenças.
7) Domínio da comunicação: a maneira como nos comunicamos com os outros e com nós mesmos é que, no final, determina a qualidade de nossas vidas.
Esses mecanismos são necessários, para produção do pensamento, mas para que ocorra o pensamento produtivo de fato nosso estado mental e comportamental deverá estar propicio para tal. A chave para produzir um aprendizado significativo, então, é representar coisas para si, de uma maneira tal de estado de recursos que fique fortalecido para praticar os tipos e qualidades de ação que criem o desejado resultado.
Assim, fica claro que, se estamos sempre focalizando as coisas más da vida, tudo quem não quer, ou todos os possíveis problemas, entramos num estado que apoia esses tipos de comportamentos e resultados.
O próprio conhecimento é transdisciplinar, pois, buscamos a compreensão de várias realidades com o intuito de entendermos o problema, necessitamos assim de compreensão do próprio eu, para atingirmos novas etapas do processo, estar numa situação de inúmeros recursos para que o aprendizado seja significativo. Logo, a dualidade ensino / aprendizagem, nunca estiveram tão distintas a ponto de determinar uma ou outra, dentro da nossa realidade, seria perfeito se pudessémos associá-las de forma efetiva.
Podemos concluir então que, não é fácil como se imagina produzir conhecimento, que na maioria das vezes automatizamos nossas ações, e esse automotismo, pode ser expressado de forma simples, imperceptível, como decorar uma disciplina para realização de uma prova. Criar ambientes seguros e favoráveis para a produção do conhecimento, hoje é visto como grande meta a ser alcançada.
O conhecimento não pode ser resumido a recursos de mídia, ou cópias de textos, teorias mastigadas, rótulos pedagógicos, a associação ciência e prática, nos coloca como conhecedores, e veículos de mudança da realidade, não como sujeitos passivos, que não controem, que nada mudam, a passividade nos leva a estagnação.
Segundo, Vilma de Carvalho (2009) "Penso que os estudantes de enfermagem, como encontrados de permeio com as sendas investigativas do conhecimento, não podem e não devem ser tratados como objetos de tecnologia pedagógica artificial puramente idealizadora para a construção de sujeitos de mentalidade de alta resolução. A inteligência humana já é, por si, o princípio da ordenação do cosmos, E se entendida nos termos da intellectus agens, a inteligência estudantil, é atividade viva, é a faculdade do pensar e doa agir capaz de organizar as sensações da aprendizagem, torná-las em abstrações enquanto conceitos inteligíveis, altamente referentes daquele específico cuidado de que se fala."
Morin (1980) apresenta as características não elementares da individulaidade, explicando que todo indivíduo constitui-se de características infra, extra, supra, meta-indivíduos, que correspondem respectivamente aos seus elementos químicos, na infra, ao ecossistema, na extra e à sociedade em que está inserido, na supra e metam. Essas características particulares do indivíduo ao mesmo tempo que o singulariza, o distingue e diferencia, não enquanto membro de uma categoria pertencente à espécie, mas como autor de seu processo organizador que o torna sujeito.
O ser humano vive a construção de sua própria identidade, que pressupõe a liberdade a a autonomia, para tornar-se sujeito, através das dependências que alimenta, necessita ou tolera, como por exemplo da família, da escola, da linguagem, da sociedade.
Conclui-se que quando temos consciência de quem somos, do que somos capazes, ao que devemos dedicar nosso esforços, no que se concentrar, gastamos energia positiva, entramos em um estado de ricos recursos, onde somos capazes de produzir conhecimento, em conversa constante com nosso próprio eu, deixamos de lado nosso egocentrismo, e vemos o mundo diferente, numa visão holística, multidimensional e multi referencial.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

FORMAÇÃO DOCENTE EM DESCOMPASSO COM A QUALIDADE !

Refletindo sobre um texto que estava lendo, percebi que na maioria das vezes os docentes não são críticos em relação a própria prática (com raras exceções), discutir sobre as formas de ensinar/aprender, na maioria das vezes está relacionada com a capacidade que o aluno tem ou não de assimilar os conteúdos ou os ensinamentos a ele dispensado. Dentro das universidades particulares, os mandos e desmandos de alguns ensinadores é VERGONHOSO, os discentes mesmo pagando as mensalidades não são ouvidos. Por que o problema é sempre com o aluno e não com o professor? E não falo apenas com propriedade de aluno, relato apenas o que tenho visto e escutado por alguns colegas. Ao contrário das universidades públicas onde os diretórios acadêmicos tem poder de decisão, seja por pressão social, judicial e as vezes até por imposição.
Essa tarefa de dar voz a quem precisa ser ouvido, é uma questão de qualidade, pois, temos que levar em conta a relação de serviço (claro que não deveria ser assim, mas o é) o que paga por ele e o recebe de forma satisfatória. Não basta apenas um caixinha de sugestões, ou conversar mal determinadas e escondidas da massa... o debate é necessário.
No meu caso, aluno de graduação em enfermagem, desde sempre estudo sobre a formação desse profissional, e de como devemos direcionar todo o processo de ensino e aprendizagem, e por vezes fico triste ao perceber que na sua grande maioria, os docentes são caracterizados pela falta de interesse por essa formação. Mas o que podemos esperar de profissionais que mesmo graduados "enfermeiros", não possuem pós -graduação, se quer o mestrado; seria possível ensinar sem saber metodologia de ensino? Se pode ensinar sem ser comprometido com a formação do profissional? Dificilmente a auto-crítica faz parte do dia-a-dia desse docente.
Não falo em tecer comentários um do outro sobre como melhor ensinar, muito menos de um professor criticando outro na frente dos alunos, refiro-me a questão de ser consciente do seu papel, de sua capacidade ou não de ensinar, e essa reflexão não tem que partir do aluno como intuito de prejudicar, ou até mesmo alertar a instituição sobre a capacidade do educador, mas dele próprio, e na maioria das vezes esse educador, com dificuldades de ensinar, é um ótimo profissional da assistência, do cuidado, mas infelizmente o que é levado em conta, são suas experiências fora da docência. "GRANDE ERRO".
Se não formos críticos, nunca chegaremos a excelência que tanto esperamos, a qualidade do ensino que tanto buscamos, segundo Geraldo Grossi: " Se nós avaliarmos o professor que não tem condições de ser docente, a instituição em que ele se formou deve ter uma co-responsabilidade e sofrer as consequências".
Logo, a instituição deve primar pela excelência de seus mestres, valorizar sim, a formação miníma de mestrado, sendo pré-requisito para exercer a docência, e se não acontecer, que qualidade teremos, se não se exigir, por que motivo os profissionais irão buscar a especialização?
Gostaria de saber quais serão os desafios para melhorar a qualidade do ensino?
Quais as medidas deveriam ser tomadas à cerca da capacitação dos docentes, em especial dos profissionais enfermeiros?
Buscamos a melhoria do ensino e não abrimos mão disso, e essa melhoria dar-se-á a medida que abrirmos intensas discussões entre discentes e docentes, no que se refere as práticas pedagógicas existentes, seria o que sabe ensinar versus o que tem sede de aprender, dessa interação poderão surgir frutos surpreendentes, novas práticas, novas metodologias, novas dimensões do processo ensino e aprendizagem...enfim uma prática transdiciplinar!

domingo, 31 de maio de 2009

ABORDAGEM TRANSDISCIPLINAR

Sem dúvidas que caminhar é preciso. Estamos na era das renovações e de novas possibilidades, onde o conviver com o outro, entender o outro como humano, mostra-se necessário. Rever novas condutas, propostas e percepções, nos diferencia dos demais animais, e isto é bem mais do que ser racional, é estar aberto a conquistas que muito esperamos...
A educação do novo século, prepara o ser humano para a vida, para ser construtor de novas formas de convivio e de arrumação tanto social como econômica e espiritual, isso nos remete a luta que tanto queremos que se opere dentro das mentes, o entendimento de que somos capazes de estarmos envoltos por um processo contínuo de amadurecimento que nunca acaba.
Devemos estar aptos a construirmos relações mais sólidas e duradoras, fora da superficialidade, em todas as faces da vida, precisamos dos outros e de sermos humanos de verdade, assim aprendemos com as relações, com a vida e criamos novas formas de nos educarmos.
E surge então a possibilidade de discutirmos e aprendermos a vivenciar a prática trasndisciplinar.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A TRANSDISCIPLINARIDADE NA FORMAÇÃO DO ACADÊMICO DE ENFERMAGEM


A TRANSDISCIPLINARIDADE NA FORMAÇÃO DO ACADÊMICO DE ENFERMAGEM

Rodrigo Gonçalves Costa1
Marta Sauthier2

RESUMO

A formação do acadêmico de enfermagem deve ser considerada no contexto de uma formação voltada para uma assistência de qualidade e adequada, que atenda os anseios da política de saúde proposta. Para tanto, a Transdisciplinaridade e seus desdobramentos, podem ser vistos como um investimento na formação desse indivíduo. A atual situação, nos aponta uma formação fragmentada e esfacelada do ser humano. Dessa forma, o objeto do nosso estudo é a Transdisciplinaridade na formação do futuro enfermeiro. A questão norteadora é uma análise que envolve teoria e prática que interferem no processo de ensino e aprendizagem. Os objetivos são descrever a Transdisciplinaridade e seus pilares, a formação do conhecimento e enfatizar a importância do pensamento crítico e de uma visão holística na formação acadêmica desse profissional. Justifica-se pela importância da cognição na formação capacitada e consciente com uma visão (trans) disciplinar e (trans) cuidar. Nosso estudo irá fornecer subsídios para mais adequadamente conduzirmos o processo ensino aprendizagem assim, como agregar novos conhecimentos a estudos já realizados.
INTRODUÇÃO
O conhecimento aparece como uma relação entre esses dois elementos. Nessa relação, sujeito e objeto permanecem eternamente separados. O dualismo do sujeito e do objeto pertence à essência do conhecimento. (HESSEN, 1999).
No entanto, essa relação interliga sujeito e objeto, faz com que o sujeito tenha a função de aprender o objeto, e de o objeto se apreendido pelo sujeito. E então se define que o conhecimento é uma determinação do sujeito sobre o objeto. Logo o único papel do objeto é ser aprendido, e o do sujeito de construtor do conhecimento, agindo de forma ativa no processo de aprendizagem e agregando novos saberes à cerca do objeto estudado.
É possível dizer que o conhecimento surge a partir da curiosidade do sujeito em relação ao objeto, e o objeto em si nada pode sem o sujeito, e nesse encontro entre as partes, relacionando-se surge o conhecimento puro em si próprio, o conhecimento com ausência de contradições, onde seu conteúdo concorda com o objeto estudado. Mas não estamos tratando de conhecimento empírico, mas o conhecimento cognitivo aprimorado pela pesquisa, pelas relações, por novos saberes agregados à medida que o processo avança e se estabelece.
O conhecimento é antecipatório. Ele nos poupa de termos de reinventar o mundo em cada ocasião em que somos confrontados com o novo de uma determinada realidade. Ter uma noção dessa realidade significa ser crítico e autoconscientemente conciso de ambos os pesos lançados na balança de valores: nós mesmos e a realidade dada. É um aprendendo a conhecer, um conhecendo como reconhecer, um aprendendo como aprender. (BASARAB, 2002).
É por isso que transformar a experiência educativa em pronto treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. (FREIRE, 1996).
O pensamento deve ser produtivo, devendo ocorrer depois de um período de incubação, onde a análise permita, perceber o problema, identificar os fatores, e preencher as lacunas que faltam através da informação. O pensamento produtivo é o pensamento crítico, onde todas as possibilidades são analisadas, sob a influência crítica e positiva do problema, a fim de encontrar subsídios que fundamentem a ação e a tomada de decisão.
Este princípio da enfermagem bastante propagado, o de assistir o indivíduo como ser complexo fica aquém das expectativas uma vez que é priorizado o aspecto tecnicista. Não se questiona a necessidade de desenvolver a competência técnica do acadêmico de enfermagem, porém o desenvolvimento de habilidades não pode só limitar-se a questões centradas no agir, mas também no sentir. Faz-se necessário enfatizar a compreensão do outro, o respeito ao outro na sua complexidade, já que a função precípua do enfermeiro é o cuidado ao ser humano.(CAMILLO, 2004).
A busca pelo conhecimento ou do conhecimento, nos traz a necessidade de relações mais fortes, maduras, no que se refere ao outro, e ao próprio eu como sujeito, como atuante no processo, é ter uma visão holística e imparcial do mundo, e entender separadamente todas as partes que compõe de fato o processo. É um estado de construção constante, de metamorfoses, um desenvolvimento em espiral, que nunca cessa e que alterna entre início e fim, num constante vai e vem, que nos permite reconstruirmos a todo instante, exercitando nossa própria consciência à cerca de quem realmente somos, e qual o nosso papel diante das crises e das imperfeições.É nos confrontamos com a máxima de que nenhum saber é absoluto e imutável. Segundo Teixeira (1996), a visão holística força um novo debate no âmbito das diversas ciências e promove novas construções e atitudes.
O grande desafio lançado à educação neste início de século é a contradição entre, de um lado, os problemas cada vez mais globais, interdependentes e planetários, e do outro, a persistência de um modo de conhecimento que privilegia os saberes fragmentados, parcelados e compartimentados. Por isso, há urgência de uma reforma da educação, de valorizarmos os conhecimentos interdisciplinares ou, pelo menos, promovermos o desenvolvimento no ensino e na pesquisa de um espírito ou mentalidade propriamente transdisciplinar.(JAPIASSU, 2006).
Aprendemos muito bem a separar. Separamos um objeto de seu ambiente, isolamos um objeto em relação, isolamos um objeto em ralação ao observador que o observa. Nosso pensamento é disjuntivo e , além disso, redutor: buscamos a explicação de um todo através da constituição de suas partes. Queremos eliminar o problema da complexidade. Este é um obstáculo profundo, pois obedece à fixação a uma forma de pensamento que se impõe em nossa mente desde a infância, que se desenvolve na escola, na universidade e se incrusta na especialização; e o mundo dos experts dos especialistas maneja cada vez mais nossas sociedades. (MORIN, 1996)
Quando se aprende o saber fragmentado, tem-se a tendência de ensiná-lo também fragmentado, e isso nos coloca num ciclo pernicioso, que de todas as formas precisa ser quebrado, no entanto, se a reconstrução não é permitida, como construir novas relações e agregar novos valores e conhecimentos? Como dizer que ensino de forma interdisciplinar, se nem o conceito e aplicabilidade tenho ciência? Na verdade trata-se de um grande paradigma, e há muitos anos, estamos classificando processos de forma equivocada, estamos vivenciando um saber esfacelado.
É hora de pensar na abordagem do ser humano, baseado na totalidade e não nas partes, baseado no conhecimento, chegada a hora de ver o ser como todo, integrando- se a ele mesmo e aos outros, onde os conhecimentos se interagem, se complementam, se suplementam, se implementam. Olhar o ser humano como parte da natureza, do planeta, do universo.
Sujeito é o eu que se coloca no centro do mundo, ocupando seu próprio espaço. Sua concepção é complexa, por isso o eu precisa da relação com o tu e ambos pertencem ao mundo. O sujeito emerge ao mesmo tempo em que o mundo a partir de sua auto-organização, que é a capacidade que o ser humano tem de transformar-se, sempre.(MORIN, 1980).
A introdução da interdisciplinaridade está condicionada a mudança de atitude e na relação entre quem ensina e quem aprende. É o respeito a globalidade – a cognição, ação, emoção, intuição, espiritualidade, de forma indissociável, assim como a totalidade de suas relações com o meio físico.
A transdisciplinaridade, diz respeito ao que está ao mesmo tempo, entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de todas as disciplinas, englobando e transcendendo o que passa por todas as disciplinas, reconhecendo o desconhecido e o inesgotável presente em todas elas, tentando encontrar seu ponto de interseção e um vetor comum. Onde os pilares são: Vários níveis de realidade (considerar cada problema não mais a partir de um único nível de realidade); Lógica do terceiro incluído (não mais esperar encontrar a solução de um problema nos termos de “verdadeiro” ou “falso” da lógica binária, mas recorrer às novas lógicas); Pensamento complexo (reconhecer a complexidade intrínseca do problema, isto é, a impossibilidade da decomposição desse problema em partes simples, fundamentais). (NICOLESCU, 1999).
E ainda assegura MORIN (2005) que os sete princípios para gerar um pensamento do contexto e do complexo são:
Os princípios sistêmicos ou organizacionais, que liga o conhecimento das partes ao conhecimento do todo, segundo o elo indicado por Pascal “Considero impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, tanto quanto conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes”.
O princípio “hologrâmico” põe em evidência este aparente paradoxo das organizações complexas, em que não apenas a parte está o todo, como o todo está inscrito na parte.
O princípio do circuito retroativo, introduzido por Nobert Wiener, permite o conhecimento dos processos auto-reguladores. Ele rompe com o princípio da casualidade linear: a causa age sobre o efeito, e o efeito age sobre a causa, como no sistema de aquecimento, em que o termostato regula o andamento do aquecedor.
O princípio do circuito recursivo ultrapassa a noção de regulação com as de auto produção e auto-organização. É um circuito gerador em que os produtos e os efeitos são, eles mesmos, produtores e causadores daquilo que o produz.
Princípios da autonomia/dependência (auto-organização) e os seres vivos são seres auto-organizadores, que não param de se auto-produzir e, por isso mesmo, despendem energia para manter sua autonomia.
O princípio dialógico justamente de ser ilustrado pela fórmula de Heráclito. Ele une dois princípios ou noções que deviam excluir-se reciprocamente, mas não indissociáveis em uma mesma realidade. Deve-se conceber uma dialógica ordem/desordem/organização desde o nascimento do universo: a partir de uma agitação calorífica (desordem) onde, em certas condições (encontros aleatórios), princípios de ordem vão permitir a constituição de núcleos, átomos, galáxias, estrelas. Sob as mais diversas formas, a dialógica entre a ordem, a desordem e a organização nas inúmeras inter-retroações, está constantemente em ação nos mundos físico, biológico e humano.
O princípio da reintrodução do conhecimento em todo conhecimento. Esse princípio opera a restauração do sujeito e revela o problema cognitivo central: da percepção à teoria científica, todo conhecimento é uma reconstrução/tradução feita por uma mente/cérebro, em uma cultura e época determinadas.
No nosso caso, a saúde para ser holística precisa ser estudada como um grande sistema, como um fenômeno multidimensional, que envolve aspectos físicos, psicológicos, sociais e culturais, todos interdependentes e não arrumados numa seqüência de passos e medidas isoladas para atender cada uma das dimensões apontadas. É necessário tirarmos a transdisciplinaridade de apenas um espírito ou mentalidade.
A transdisciplinaridade abre caminhos para uma assistência global, uma assistência que atenda o outro de todas as formas e em todas as possibilidades, não pode haver lacunas entre o ser biológico e o ser psicossociocultural. Os docentes estão ou não capacitados a sair do contexto técnico instrumental cuja herança foi deixada pela era reducionista que pregava a divisão de tudo?
Não pode haver a divisão da realidade, do sujeito em partes, assim como entendê-lo de forma racional, devem-se agregar valores ao sujeito, uma junção entre o que se é, o que se pretende, como se age e do que espera, dando a mesma importância ao relacionamento interpessoal assim com as técnicas.
A transdisciplinaridade se coloca como a postura mais adequada para se trabalhar os conhecimentos, atualmente compartimentados. É necessário que haja a criação de espaços, de interação entre os especialistas das diversas áreas do conhecimento, proporcionando discussões, aproximação, interação, ou seja, buscando a transdisciplinaridade para o favorecimento de uma compreensão mais abrangente, em busca de um sentido mais humano para o conhecimento (CAMILLO, 2006).
Mas qual seria a função social do enfermeiro? Seria apenas aquele descrito nos programas de saúde propostos pelo Ministério da Saúde? Qual o papel social do futuro enfermeiro em fase de formação? Seria sem dúvidas transformando a realidade, um ser social interage, escuta, trabalha, almeja, fornece, planeja, implementa, idealiza, cria novos níveis de realidade que assegurem seu papel como enfermeiro e como agente social, entendendo seu papel como constituinte do todo, sendo apenas uma parte.
De acordo com Ribeiro (1999), numa perspectiva de totalidade, o homem é concebido como um ser em relação que influi e sofre influências do meio natural e de outros homens. Consequentemente, este homem encontra-se em permanente mudança, fato que atribui à educação, a característica de processo, de continuidade, de interminabilidade, de infinidade. A educação e o educar-se são um processo de comportamento com a realidade, com o cotidiano que está diante de mim e que acontece a todo instante.
De acordo com Nicolescu (1997) o CIRET, elaborou em colaboração com a UNESCO, o projeto “A evolução Transdisciplinar na Universidade”, propondo alternativas para se chegar a transdisciplinaridade e são elas:
A criação de institutos de pesquisa do sentido (que diz respeito ao investimento na formação de professoras voltados para transdisciplinaridade);
Tempo para transdisciplinaridade (devotar 10% do tempo de ensino de cada disciplina a transdisciplinaridade);
Criação de ateliês de pesquisa transdisciplinar (as universidades devem criar ateliês de pesquisa transdisciplinar, livre de qualquer controle ideológico, político ou religioso, que congreguem pesquisadores de todas as disciplinas. Incluindo músicos, poetas e artistas de alto calibre, em projetos universitários específicos, a fim de se estabelecer um diálogo acadêmico entre várias abordagens culturais);
Criação de centros de orientação transdisciplinar (centros de orientação transdisciplinar serão destinados a fomentar vocações e a permitir a descoberta das possibilidades escondidas em cada pessoa);
Criação de ateliês pilotos de transdisciplinaridade e espaço cibernético (é recomendado encorajar e desenvolver todos os meios técnicos disponíveis, tendo em vista, dar a educação transdisciplinar emergente a requerida dimensão universal, promovendo globalmente o domínio público da informação);
Criação de uma cadeira itinerante da UNESCO e de teses transdisciplinares de doutoramento (essa cadeira pode ser apoiada pela criação de um site na Internet que prepararia a comunidade internacional e universitária para a descoberta prática e teórica da transdisciplinaridade. A meta é colocar tudo em seu lugar a fim de que a semente do pensamento complexo e da transdisciplinaridade possa penetrar as estruturas e programas das universidades do amanhã);
Desenvolvimento da responsabilidade (recomenda-se às universidades fazerem um apelo a favor da estrutura de uma abordagem transdisciplinar, notadamente no que tange a Filosofia da natureza, a Filosofia da História, e a Epistemologia, com o objetivo de desenvolver a criatividade e o sentido da responsabilidade dos líderes do futuro. É preciso introduzir cursos, em todos os níveis, a fim de sensibilizar e despertar os alunos, para a harmonia entre os seres e as coisas, a fim de assegurar que suas aplicações não contradigam uma ética da responsabilidade perante outros seres humanos e o meio ambiente);
Criação de fóruns transdisciplinares (para conciliar duas culturas artificialmente antagônicas – a cultura científica e as culturas literária e artística. Recomenda-se também que as universidades organizem fóruns transdisciplinares incluindo a História, Filosofia, e a Sociologia da Ciência e a História da Arte Contemporânea);
Inovação pedagógica e transdisciplinaridade (é essencial acompanhar o resultado das experiências, dando testemunho das inovações estritamente pedagógicas ligadas a abordagem do ensino transdisciplinar. As Universidades devem encorajar, estimular publicações que registram a analisam os maiores exemplos da experiência inovadora);
Criação de ateliês regionais e fóruns transculturais na Internet (para que as universidades possam favorecer a visão transcultural, transreligiosa, transpolítica e transnacional).
Há resistências inacreditáveis a essa reforma, há um tempo, uma e dupla. A imensa máquina da educação é rígida, inflexível, fechada, burocratizada. Muitos professores estão instalados em seus hábitos e autonomia disciplinares. Estes, como dizia Curien, são como os lobos que urinam para marcar seu território e mordem os que nele penetram. Há uma resistência obtusa, inclusive entre os espíritos refinados. Para eles, o desafio é invisível (MORIN, 2003).
Segundo Teixeira (2006), o campo da saúde é por si mesmo transdisciplinar, tendo em vista que existem diferentes olhares nesse território, bem como formas de tratamentos e cuidados com o corpo, mesmo nas práticas oficiais de saúde, quanto nas práticas populares. Desse modo, precisa-se refletir inclusive sobre imposição de saberes e práticas verticalizadas sobre a população, como únicas, como únicas e verdadeiras para o sujeito encontrar a felicidade.
Conclui que nesse sentido, a junção da categoria afetividade junto com efetividade, contribui para um novo olhar nos cuidados com o corpo de modo que esse enfoque favorece um trabalho contextualizado na saúde e nos seus níveis de atenção. Consequentemente, é imprescindível um trabalho transdisciplinar nas ações de saúde, que inclua os cuidados com o corpo em sua complexidade, compreendendo as possibilidades e limites desse território.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cujas fontes foram bibliográfica, abrangendo livros, revistas, documentos eletrônicos e artigos de sites (BVS, Bireme, Scielo, Lillacs e etc). Este tipo de pesquisa tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, aprimoramento de idéias, a descoberta de intuições e a descrição das características de determinada população ou fenômeno. (GIL, 2002)
Segundo Minayo (1996) refere que o campo, na pesquisa qualitativa, é o recorte feito pelo pesquisador em termos de espaço, representando uma realidade empírica a ser estudada a partir das concepções teóricas que fundamentam o objeto da investigação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisando o processo ensino aprendizagem, abrimos intensas discussões e identificamos que a Transdisciplinaridade ainda não faz parte do nosso cotidiano como gostaríamos, uma formação que atenda o ser humano em sua totalidade, no seu todo e não apenas nas suas partes, ainda necessita de intensos estudos para que seja possível a sua aplicabilidade prática.
Os investimentos tem sido voltados apenas para Educação em Saúde, no entanto, o foco deveria ser o investimento na formação do profissional, fato que levará a intensas reflexões sobre a política educacional e os sistemas de saúde. Sua meta deve ser a melhoria do sistema e a reforma da educação, que de fato capacitasse o Enfermeiro a assegurar um cuidado que atendesse o ser humano em todas as suas faces.
A vida institucional do setor saúde, requer grande atenção, pois a partir de certos arranjos alcançaremos mudanças significativas, faz-se necessário que as reflexões sobre o processo ensino aprendizagem saiam do micro para o macro, para que a partir dessas reflexões e desses estudos possamos apontar diretrizes que nortearão nossa prática na academia.
A universidade deve ser o local de fomento para a implantação de grupos de estudos e práticas transdisciplinares. Nesse contexto, a extensão permite transmitir à sociedade conhecimentos adquiridos na Universidade e proporcionar aos estudantes intensas reflexões sobre a noção de sujeito, atuante no processo, como construtor de seu próprio conhecimento.
Concluindo, percebe-se que este estudo fornece importantes contribuições referentes à realidade, pressupondo a importância de sensibilizar os profissionais docentes, e até mesmo os discentes de que somente com uma reflexão a cerca das práticas docentes é que se poderá prestar e garantir uma formação de qualidade e completa.

REFERÊNCIAS
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NICOLESCU. Basarab. O Manifesto da Transdisciplinaridade. Tradução: Lúcia pereira de Souza. São Paulo: Triom. ,1999.
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TEIXEIRA, Elizabeth. Reflexões sobre o Paradigma Holístico e Holismo e Saúde. São Paulo: USP, 1996.

1Discente do 7º período da FELM/SC -Rio. Bolsista de IC - FAPERJ
2Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Docente da EEAN - UFRJ

CPA: CONTRUÇÃO PEDAGÓGICA COM UMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR

CPA: CONTRUÇÃO PEDAGÓGICA COM UMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR


RESUMO

Rodrigo Gonçalves Costa[1]


Este estudo objetivou descrever o papel da Comissão Própria de Avaliação da Faculdade de Enfermagem Luiza de Marillac na construção de uma proposta pedagógica com uma visão Transdisciplinar. Vislumbrando a possibilidade de um fazer diferente, consolidando nestes tempos pós-modernos; uma educação voltada para uma formação holística e humanizada, através da interação e participação dos discentes nesta nova proposta. Partindo disso enfatizamos a importância da Transdisciplinaridade e a contribuição do CPA nesta construção coletiva.

PALAVRAS-CHAVES: Avaliação, Pesquisa em Educação, Transdisciplinaridade, Ensino de Enfermagem.

This study aimed to describe the role of the Commission Own Assessment of the School of Nursing Luiza de Marillac in the construction of a pedagogical proposal with a transdisciplinary vision. Seeing the possibility of a different make, consolidating these post-modern times, an education toward a humane and holistic education through interaction and participation of students in this new proposal. Assuming that emphasize the importance of Transdisciplinarity and the contribution of CPA in this collective construction. KEY WORDS: Valuation, Research, Education, Transdisciplinarity, Teaching Nursing.


INTRODUÇÃO
Trata-se de um estudo de cunho histórico social, com objetivo de enfatizar a importância da CPA na construção coletiva e melhorias na proposta pedagógica. A sistematização desse estudo ocorreu através de consultas bibliográficas e análise documental, assim como do jornal elaborado pelo mesmo.
Principalmente depois de Freire, preocupações advindas do sistema educacional emergiram com tanto força que, preocupou-se muito em adequar o sistema as necessidades dos alunos. No entanto, essa transformação resultou em procura por teorias equivocadas, e mergulhamos na década das teorias, muito se falou em Construtivismo, Piaget, Bruner, Gestalt, dentre outros, mas não se tinha a preocupação de envolver pais, alunos, comunidade, em proporcionar uma construção coletiva, que atendesse esse discente de forma humana, respeitando sua visão de mundo e da realidade.
Podemos lembrar, do comércio que envolveu todo esse período, de fato estávamos envoltos por grandes pressões advindas da sociedade, que passava por intensas transformações políticas, foi criando-se uma consciência social cada vez maior, que fez surgir um novo paradigma na educação, uma nova visão da realidade em que se prima por encontrar novos caminhos na busca de uma educação melhor.
Algumas instituições tentaram se adequar as estas necessidades, preparando-se para receber os discentes que procuravam uma educação de qualidade que primasse pela formação voltada não só para o mercado de trabalho, mas para a vida. Com o advento das novas tecnologias em prol de seu benefício, as Universidades aprimoraram seus sistemas de informação, proporcionando aos alunos maior qualidade e agilidade nos serviços. Dentro da perspectiva interacionista, e considerando que o ser humano não só recebe estímulos, mas expressa comportamento e é livre para definir qualquer situação de modo único e imprevisível, surge a possibilidade de ampliar a formação acadêmica desse novo aluno.
Podemos então citar a Faculdade de Enfermagem Luiza de Marillac, que através da CPA, mantém um instrumento significativo, capaz de mensurar a qualidade do ensino, assim como, anseios, dúvidas e inquietações dos discentes. Uma comissão que de forma Transdisciplinar interpõe alternativas capazes de dar voz a quem pouco é ouvido.

REVISÃO DE LITERATURA SOBRE TRANSDISCIPLINARIDADE E O PAPEL DA CPA

A Comissão Própria de Avaliação, coordenada pela Professora Milda Izaac Telles (também Docente da FELM), tem exercido o papel formidável de dar voz aos alunos, seja por questionários avaliativos que são agora respondidos através do portal acadêmico, seja através da caixa de sugestões colocadas no roll de entrada do IES. A CPA divulga os dados através de um Jornal trimestral, onde os alunos podem ter acesso aos dados colhidos durante o processo. Através da análise desses dados a CPA traça perfis dos ingressantes nos curso de graduação; além de acompanhar as visitas dos avaliadores do MEC a instituição, adequando as normas estabelecidas pelo Ministério da Educação.
Essa forma de construção, na perspectiva de experenciar, novas formas de participação dos discentes, que não se restrinja simplesmente a sala de aula, começamos a compreender novos pontos de vista a respeito da educação; essa nova visão, além de ampliar a nossa compreensão, promoverá o desenvolvimento de novos métodos e de quebras de antigos paradigmas. Numa visão holística, essas novas formas de participação, incluem uma relação mais estreita tanto entre instituição/ aluno, como docente/discente; essa participação é fundamental na reflexão diária, na busca de novas maneiras de ensinar/aprender, fundamentada no processo de construção da realidade individual e coletiva.
O grande desafio lançado à educação neste início de século é a contradição entre, de um lado, os problemas cada vez mais globais, interdependentes e planetários, e do outro, a persistência de um modo de conhecimento que privilegia os saberes fragmentados, parcelados e compartimentados. Por isso, há urgência de uma reforma da educação, de valorizarmos os conhecimentos interdisciplinares ou, pelo menos, promovermos o desenvolvimento no ensino e na pesquisa de um espírito ou mentalidade propriamente transdisciplinar. (JAPIASSU, 2006).
A busca pelo diploma tornou-se mais importante do que a aprendizagem, e muitos são iludidos pelas promessas de ascensão social, importa mais as notas e o diploma do que o próprio aprendizado. Desenvolver profissionais críticos e capazes de assistir dignamente a pessoa humana anda a par com a necessidade de rever as novas exigências a formação desse profissional, e discutir dentro da universidade faz parte do processo de reflexão e de noção de sujeito, sujeito este participante do processo de ensino e aprendizagem.
É hora de pensar na abordagem do ser humano, baseado na totalidade e não nas partes, baseado no conhecimento, chegada a hora de ver o ser como todo, integrando- se a ele mesmo e aos outros, onde os conhecimentos se interagem, se complementam, se suplementam, se implementam. Olhar o ser humano como parte da natureza, do planeta, do universo.
A abordagem transdisciplinar será o complemento indispensável da abordagem disciplinar, pois ela conduzirá a um ser continuamente unificado, capaz de adaptar-se às exigências mutáveis da vida profissional e dotado de uma grande flexibilidade, embora permanecendo sempre orientado para a atualização de suas potencialidades interiores.
A transdisciplinaridade, diz respeito ao que está ao mesmo tempo, entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de todas as disciplinas, englobando e transcendendo o que passa por todas as disciplinas, reconhecendo o desconhecido e o inesgotável presente em todas elas, tentando encontrar seu ponto de interseção e um vetor comum. Onde os pilares são: Vários níveis de realidade (considerar cada problema não mais a partir de um único nível de realidade); Lógica do terceiro incluído (não mais esperar encontrar a solução de um problema nos termos de “verdadeiro” ou “falso” da lógica binária, mas recorrer às novas lógicas); Pensamento complexo (reconhecer a complexidade intrínseca do problema, isto é, a impossibilidade da decomposição desse problema em partes simples, fundamentais). (BASARAB, 1999).
1. considerar cada problema não mais a partir de um único nível de Realidade, mas situando-o simultaneamente no campo de vários níveis de Realidade;
2. não mais esperar encontrar a solução de um problema nos termos de "verdadeiro" ou "falso" da lógica binária, mas recorrer a novas lógicas, particularmente à lógica do terceiro incluído: a solução de um problema só pode ser encontrada pela conciliação temporária dos contraditórios. Ligando-os a um nível de Realidade diferente daquele no qual esses contraditórios se manifestam; passando de um nível a outro.
3. reconhecer a complexidade intrínseca do problema, isto é, a impossibilidade da decomposição desse problema em partes simples, fundamentais. Na ausência de fundamentos, ausência que caracteriza o mundo atual, "mudar de sistema de referência" também quer dizer tomar como fundamento precisamente a ausência de fundamentos. Em outras palavras, substituir a noção de "fundamento" pela coerência deste mundo multidimensional e multireferencial.
Esse novo paradigma força e exige uma postura transdisciplinar, e o processo sistêmico postula que tudo é interdependente, que fenômenos apenas podem ser entendidos com a observação do contexto em que ocorre, postula ainda que á vida é relação. A transdisciplinaridade abre caminhos para uma assistência global, uma assistência que atenda o outro de todas as formas e em todas as possibilidades, não pode haver lacunas entre o ser biológico e o ser psicossociocultural.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não pode haver a divisão da realidade, do sujeito em partes, assim como entendê-lo de forma racional, devem-se agregar valores ao sujeito, uma junção entre o que se é, o que se pretende, como se age e do que espera, dando a mesma importância ao relacionamento interpessoal assim como as técnicas.
No nosso caso, a saúde para ser holística precisa ser estudada como um grande sistema, como um fenômeno multidimensional, que envolve aspectos físicos, psicológicos, sociais e culturais, todos interdependentes e não arrumados numa seqüência de passos e medidas isoladas para atender cada uma das dimensões apontadas. É necessário tirarmos a transdisciplinaridade de apenas um espírito ou mentalidade.
Mais precisamente, conseqüência imediata da complexidade intrínseca do mundo em que vivemos, essas condições "iniciais" mudam continuamente. Em nossa vida universitária, deparamo-nos com isso todos os dias e, no entanto, ainda não perdemos a ilusão de uma "reforma", de um milagre capaz de eliminar todos os males que atingem as universidades. Se as condições iniciais dos diferentes problemas mudarem incessantemente e se uma reforma milagrosa for simplesmente impossível, estamos, então, condenados a assistir, impotentes, à decadência progressiva, mas certa das universidades? (BASARAB, 1999).
De acordo com o referencial adotado, nosso estudo possibilitou uma reflexão sobre o trabalho desenvolvido pela CPA, assim como, relaciona-lo com a Transdisciplinaridade. Através da CPA, passamos de fato por vários níveis de realidade afim de encontrarmos a solução necessária para os problemas que surgem a partir da inquietação dos discentes.
O orgulho de ver os avanços da CPA, inclusive no que se refere ao conteúdo das disciplinas, aos discentes, é motivo de intensa satisfação e abre caminhos pra a “REFORMA” que tanto esperamos nas Universidades.
Entretanto, surge indagações que por hora ficam se respostas, pois, se a CPA traça perfis dos alunos, sua situação socioeconômica e até mesmo cultural, fica a meu ver , muito fácil para o docente consultar esses dados e adequar os conteúdos, as técnicas do processo de ensino e aprendizagem, a realidade desses alunos, assistindo de fato o discente de forma holística. Logo, a CPA tem sido vista com a importância que lhe é devida?

REFERÊNCIAS

● AMORIN E GOMES, A. A. Moutinho e C. Silva. Didática para o ensino superior: uma proposta em sintonia com a perspectiva da educação para a totalidade. 2º ed. Rio de Janeiro: Editora Central Universidade Gama Filho, 1999
● NICOLESCU, B. Que universidade para o amanhã? Em busca de uma evolução Transdisciplinar da Universidade. Congresso internacional de Locarno (Locarno, Suiça, de 30 de abril a 02 de maio de 1997). Projeto CIRET-UNESCO: Evolução Transdisciplinar da Universaidade. Acesso em 10 de abril de 2008. Disponível em: Http:>//perso.club-internet.fr/nocil/ciret/
● NICOLESCU, B. A evolução transdisciplinar à universidade. Condição para o desenvolvimento sustentável. Conferência no congresso internacional “ A responsabilidade da universidade para com a sociedade”. International Association of Universities, Chulalongkorn University, Bangkok, Thailand, de 12 a 14 de novembro de 1997. Acesso em 04 de abril de 2008. Disponível em: http://perso.club-internet.fr/nicol/ciret/
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● ______. Folies et représentations sociales. Paris: PUF, 1995.
[1] Discente do 7º período da graduação em Enfermagem da FELM/SC – Rio. Bolsista I.C. FAPERJ